Lucely Gonçalves

Irmandade do saneamento

 

 

Bióloga e farmacêutica, com MBA em gestão de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e especialização em RH, em Saúde Pública e Epidemiologia, Lucely frequenta a Abes há mais de 30 anos. Ela fez parte do primeiro grupo de associados da Abes em sua terra natal, Roraima, onde ocupou o cargo de presidente da seção regional. Casada com Sérgio Gonçalves, ex-presidente da Abes/DF, os dois vieram para Brasília no ano 2000. Lucely se considera parte de uma verdadeira irmandade do saneamento.  

 

  • Como foi sua entrada na ABES?

 

Participei do primeiro grupo de associados locais, em Boa Vista/Roraima, depois fiz parte da diretoria, cheguei a ser presidente da seção Roraima. Dentre os trabalhos realizados destaco os diversos cursos de capacitação sobre temas de saneamento, saúde e meio ambiente, voltados para profissionais de saneamento e saúde, professores, lideranças locais. Criamos o Prêmio Buriti da Amazônia, que reconhecia iniciativas da sociedade em distintos segmentos e categorias que atuavam e contribuíam para o debate e conscientização sobre as questões de saneamento e ambiente, como jornalistas, artistas, projetos escolares. Envolvemos escolas, a imprensa, comunidade em geral, fizemos uma grande movimentação na cidade. O troféu, uma peça entalhada em madeira, em que duas mãos seguram o fruto do buriti, foi escolhido a partir de concurso entre artistas.


No âmbito da ABES Nacional , fui conselheira e durante muitos anos colaborei na comissão de avaliação de trabalhos técnicos para congressos e seminários promovidos pela Abes Nacional.


Na Abes/DF, participei de algumas diretorias. Na gestão do professor Marcos Antônio, fui Diretora de comunicação, depois fui 1ª Secretária na gestão do Montenegro, nesse período participei da Comissão organizadora do XI SNRS - Seminário Nacional de Resíduos Sólidos realizado em Brasília/DF. Na atual gestão, inicialmente dirigida por Sergio Gonçalves e atualmente por Heliana Kátia, faço parte da Diretoria como 2ª Secretária.


Posso dizer que em todas as diretorias em que participei tive a oportunidade de conhecer profissionais comprometidos com a causa do saneamento. São líderes que estão sempre  atentos às questões técnicas, mas sobretudo aos movimentos políticos que permeiam o setor. Formam um grupo muito unido, que vai além das atribuições na ABES. Existe um engajamento muito alto, com alinhamento de pensamento e de propostas, o que fortalece a instituição. E é muito gratificante ver um grupo aguerrido e duradouro, uma irmandade do saneamento: Montenegro, Sérgio Gonçalves, Ernani, Kátia, João Marcos, Silvano, Sergio Cotrim e outros que estão na luta há muito tempo.

 

  • Como você avalia a atuação da ABES?

 

A Abes realiza um trabalho relevante, é uma associação de notório saber que está no país inteiro. A Abes/DF tem uma ampla participação técnica qualificada nos diversos colegiados em que tem assento, sempre em defesa dos interesses da sociedade. Nesta gestão priorizamos a organização institucional, eu fiz parte da equipe de modernização administrativa, hoje temos instalações físicas e infraestrutura tecnológica moderna, bem fortalecida para atender a nossos associados. Além disto, dispomos de um corpo técnico de primeira grandeza, tanto na diretoria quanto entre os associados.


Mas penso que precisamos ter uma estratégia para ampliação do quadro de associados para promover uma renovação. Acredito que o grande desafio é atrair os jovens profissionais, que geralmente são entusiastas e vislumbram um mundo novo. Eles são questionadores, trazem novos pontos de vista, e podem ser disruptivos, trazendo contribuições para uma nova forma de pensar e agir para alavancar a instituição.


Ainda não encontramos a melhor maneira para conquistar esses novos associados, pois somente a dinâmica já existente não é suficiente. O processo de renovação dos quadros de associados é salutar para troca de experiencias, repasse de conhecimentos. Talvez o Congresso que vamos realizar em 2025 seja uma oportunidade para pensarmos em alguma estratégia neste sentido.  

 

  • Fale um pouco de sua vida pessoal. Como você e Sérgio se conheceram?

 

Nos conhecemos no trabalho em 1985, éramos assessores técnicos na Secretaria de Educação e Cultura de Roraima, quando ainda era território. De lá, Sérgio foi para a Companhia de Água e Esgoto de Roraima eu fui para a Secretaria de Estado da Saúde, no Departamento de Vigilância Sanitária. Mas sempre trabalhamos juntos em prol do saneamento e do meio ambiente. Somos professores originalmente e sempre tivemos o pé na educação, atrelando saúde, saneamento e meio ambiente.

 

  • E como se deu a vinda para Brasília?

 

Fui convidada para compor a primeira equipe que organizou a Anvisa. E assumi a subgerência de Fronteiras na Gerência Geral de Portos, Aeroportos e Fronteiras, no ano 2000. Participei de importantes missões para as fronteiras, grupos de trabalho para elaboração de normas e regulamentação, integrei o Comitê de Política de Recursos Humanos. Nos trabalhos anteriores, implantei a Diretoria de Vigilância Sanitária do Estado de Roraima e depois estruturei  tanto a Inspetoria quanto a Coordenação de Vigilância Sanitária da representação em Roraima do Ministério da Saúde, com instalação de serviços de vigilância sanitária nas fronteiras com a Venezuela e Guiana Inglesa. Foi um intenso trabalho de fiscalização sanitária, controle do Aedes aegypt, controle sanitário de viajantes, programa de vacinação contra febre amarela e emissão de Certificados Internacionais.

 

  • Você se aposentou, mas continuou ativa, não foi?

 

Em 2003, resolvi me aposentar do serviço público federal. De lá para cá, comecei a participar de diretorias da ABES/DF, fazer consultorias para o Ministério da Saúde, na área de saúde ambiental, e para organismos internacionais como a Opas, Unesco, OMS e outras instituições. Na Funasa elaborei a proposta para a política de assistência farmacêutica para os povos indígenas. Tive a enorme satisfação de participar de comissões organizadoras de conferências, como da 1ª Conferência Nacional de Saúde Ambiental (2020) e da 1ª Conferência Nacional em Vigilância em Saúde (2018). Como etapa preparatória desta conferência, participei da organização da Conferência Livre sobre Saúde Ambiental, que ocorreu durante a realização do Congresso ABES-FENASAN /2017 , ocasião em que foi lançada a Câmara Temática de Saúde Ambiental da ABES, com o tema “Saneamento no Território: Como estabelecer e fortalecer o diálogo entre os setores de saneamento e de saúde?”. A conferência discutiu a importância de políticas públicas integradas no cenário atual, levando em consideração o crescimento das cidades e regiões metropolitanas. Foi gratificante organizar a 1ª Conferência Livre de Vigilância em Saúde da População em Situação de Rua, em São Paulo, foi um grande aprendizado.


Como autônoma, vou explorando meus conhecimentos, como tenho várias especializações, dentre elas em política de Recursos humanos e gerenciamento de projetos. Atualmente faço consultorias para empresas na área de seleção de pessoal, planejamento, projetos corporativos, assessoria e gestão executiva para empresas e organizações.

 

  • E seu lado artístico?

 

Paralelo a isto me dedico a produção cultural e às artes plásticas, sou artista plástica autodidata, membro da Associação Candanga de Artes Visuais/ACAV. Participo ativamente de exposições presenciais e virtuais em Brasília, Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo.  Em 2018, participei do 22º Circuito Internacional de Arte Brasileira, com exposições em Roma, Viena, e Bratislava, na Eslováquia.


Minha criação artística é livre e conforme a inspiração do momento, ora figurativo ora abstrato, buscando sempre expressar minha sensibilidade, amor e contemplação pela natureza. Uso diversas técnicas, como pintura em óleo, acrílica, aquarela, ilustração botânica. Estou sempre em busca de novos aprendizados

Lucely Gonçalves